Erika Hilton nasceu em Franco da Rocha (SP), em 1992, e teve sua infância marcada por violências estruturais e familiares causadas pelo fundamentalismo. Expulsa de casa ainda adolescente por ser uma menina trans, enfrentou a rua, a invisibilidade e a transfobia em um país que mais mata pessoas trans no mundo. Essa vivência forjou sua consciência política e a fez compreender desde cedo que sua existência era, por si só, um ato de resistência.
Ao acessar a universidade e se engajar no movimento estudantil, começou a construir sua trajetória pública como fundadora de cursinhos, com base na escuta coletiva, na defesa dos direitos humanos e no combate às desigualdades estruturais, sobretudo as que atravessam raça, gênero e classe. A experiência de ser uma mulher trans negra periférica foi, desde o início, força propulsora de sua militância e não apenas identidade pessoal — mas projeto político, coletivo e emancipador.

Em 2018, Erika Hilton foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo como uma das co-parlamentares do primeiro mandato coletivo à Deputada Estadual da política paulista. Um mandato coletivo pelo PSOL que inovou na institucionalidade ao reunir lideranças diversas para atuar em conjunto no Parlamento e abriu espaço para que Erika pudesse iniciar sua atuação institucional.
Também em 2018, foi parte da primeira leva de travestis a ocupar um cargo legislativos estaduais, onde defendeu projetos de lei para a proibição de homenagens a torturadores e escravocratas, para a garantia de atendimento em saúde mental a policiais e vítimas da violência, além de propor medidas para ampliar o acesso da população LGBTQIA+ aos serviços públicos estaduais de saúde e cidadania.
Em 2020, no auge da pandemia, Erika organizou a campanha #FortaleçaUmaPessoaTrans, que arrecadou recursos para a sobrevivência de pessoas trans em situação de vulnerabilidade. Ela utilizou a internet de forma inovadora como ferramenta de denúncia, mobilização e construção de redes solidárias, tornando-se uma das principais vozes da política brasileira nesse período crítico.


No final de 2020, Erika Hilton foi eleita vereadora por São Paulo com mais de 50 mil votos, tornando-se não apenas a primeira travesti negra da história da Câmara Municipal, mas também a mulher mais votada do Brasil nas eleições daquele ano. Desde o início de seu mandato, atuou com protagonismo em comissões estratégicas, como a de Direitos Humanos e Cidadania, onde presidiu audiências históricas sobre violência policial, fome, população trans e políticas públicas para juventudes periféricas.
Ao longo de seu mandato, Erika apresentou e aprovou projetos como o que garante acesso gratuito a na rede pública de saúde — uma das primeiras leis municipais sobre dignidade menstrual do país — e o projeto que proíbe o uso de linguagem transfóbica em documentos e comunicações oficiais. Erika também foi uma das primeiras vozes públicas a denunciar as condições degradantes em equipamentos de saúde e assistência social, especialmente absorventes durante e após a pandemia, com foco em populações em situação de rua e vulnerabilidade extrema. Como vereadora, Erika aprovou o Fundo Municipal de Combate à Fome, foi presidenta por duas vezes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de SP e presidiu a primeira CPI que investigou a violência contra pessoas trans e travestis.
Sua passagem pela Câmara Municipal foi marcada por um mandato de forte presença nos territórios, com atuação transversal em pautas de mobilidade urbana, juventude, cultura periférica, justiça racial e enfrentamento à LGBTfobia institucional — consolidando um modelo de construção política engajada, conectada e pedagógica.


Eleita deputada federal por São Paulo em 2022 com 256.903 votos, Erika Hilton se tornou a primeira travesti negra da história da Câmara dos Deputados e uma das vozes mais influentes da nova geração da política progressista e de esquerda no Brasil. Logo em seu primeiro ano de mandato, foi escolhida como líder do PSOL na Câmara, coordenando a atuação da bancada em pautas decisivas como o novo arcabouço fiscal, as discussões sobre o marco temporal e o combate à violência política de gênero.
Autora da PEC do Fim da Escala 6x1, proposta histórica construída em diálogo com trabalhadores de todo o país e com o Movimento VAT que se transformou em símbolo da luta pelos direitos trabalhistas no Brasil contemporâneo. Erika também foi titular da CPMI do 8 de Janeiro, onde teve papel destacado ao confrontar parlamentares bolsonaristas e defender o aprofundamento das investigações sobre o financiamento e os articuladores dos atos golpistas. Foi relatora e aprovou, na Comissão de Direitos Humanos, o projeto que insere na lei o casamento igualitário no Brasil.
Em seu primeiro ano de mandato, aprovou a Lei da Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania para a População em situação de Rua, já sancionada pelo Presidente Lula e em vigor.
Além disso, atuou diretamente na articulação contra o PL do Estuprador, mobilizando uma frente ampla com outros parlamentares, juristas e organizações da sociedade civil para barrar retrocessos na legislação sobre direitos reprodutivos. Junto a movimentos de base, organizações feministas, e até mesmo fandoms e comunidades digitais, fez a campanha #CriançaNãoÉMãe tomar as redes.
Erika também é vice-presidenta da Frente Parlamentar pela Justiça Climática, onde trabalha pela integração entre justiça ambiental, equidade de gênero e reparação racial, tema que Erika também abordou em seu PL das Cidades Resilientes, já aprovado na Câmara e no Senado, no PL dos Refugiados Climáticos, que já teve sua urgência aprovada e no PL que garante a distribuição de absorventes para mulheres em contexto de calamidade pública, já aprovado pela Comissão da Mulher.
A atuação de Erika no Congresso tem como marcas o uso de estratégias inovadoras de comunicação política, ativando juventudes e criando pontes entre a cultura pop e a luta por direitos, a combinação entre inovação política, fidelidade às lutas populares e enfrentamento direto à extrema direita, sempre com coragem, articulação e clareza de projeto.
